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TCE-PR detecta risco latente e potencial de desastres nas barragens paranaenses

Conclusão é resultado de auditoria realizada entre abril e junho. Servidores do Tribunal visitaram 12 barragens. Relatório já foi entregue ao governador Carlos Massa Ratinho Júnior

Foto tirada em 25 de abril de 2019 da Barragem do Miringuava, no município de São José dos Pinhais, cujas obras estavam paralisadas naquela data.
Foto: Wagner Araújo/Divulgação TCE-PR

Em relatório produzido após a realização de auditoria para avaliar a qualidade da fiscalização da segurança das barragens paranaenses pelo Instituto das Águas do Paraná, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) afirma que há risco latente e potencial de desastres nas estruturas. O documento de 185 páginas foi entregue na última quinta-feira (13 de junho) ao governador, Carlos Massa Ratinho Júnior, pelo presidente da corte, conselheiro Nestor Baptista, e o analista de controle Claudio Henrique de Castro, servidor que coordenou a equipe responsável pelo trabalho.

A conclusão do órgão de controle teve como base a avaliação da atuação da autarquia estadual sobre o assunto, por meio da qual foram detectados os seguintes problemas na entidade: grave déficit institucional; carência orçamentária e de pessoal; ausência de gestão, planejamento e execução das suas atribuições; omissão no cumprimento das competências e da legislação; e grave omissão na fiscalização. O processo resultante da auditoria tem como relator o conselheiro Ivens Linhares.

 

Auditoria

A equipe de servidores do TCE-PR responsável pelo trabalho - composta também pelos analistas de controle Alexandre Cardoso Dal Ros e Ronald Nieweglowski - percorreu 3.500 quilômetros para visitar 11 barragens e 10 órgãos públicos ao longo de 40 dias úteis, entre 12 de abril e 10 de junho.

Das barragens visitadas, cinco estão situadas em Londrina (Parque Arthur Thomas, Igapó I, II e III e Parque Daisaku Ikeda - esta rompida em 2016), duas em Araucária (Passaúna e Refinaria Presidente Getúlio Vargas) e quatro em São José dos Pinhais (Miringuava, que está em construção, contudo com as obras paralisadas), Cascavel (Lago Municipal), Toledo (Lago Municipal) e União da Vitória (Fazenda Guavirova - esta também rompida em 2016, mas com uma vítima fatal).

Todas são barragens de acumulação de recursos hídricos, com fiscalização delegada pela Agência Nacional de Águas (ANA) para o Instituto das Águas do Paraná. Elas representam mais do que 10% das estruturas consideradas como de alto risco pela autarquia, que calcula existirem aproximadamente 800 barragens no Estado - quantia considerada subestimada no Relatório de Auditoria.

Foram encontradas 61 inconformidades nas barragens vistoriadas, além de 71 irregularidades na entidade fiscalizadora - uma delas trata-se da tentativa, via proposta de contrato de gestão de R$ 2.412.563,19, de terceirizar suas funções típicas para o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), que, por sua vez, delegaria as tarefas para empresas privadas. Ao todo, 15 gestores foram apontados como responsáveis pelas falhas.

Já os órgãos visitados foram a Defesa Civil do Estado do Paraná, a Agência Nacional de Mineração, o Instituto das Águas do Paraná, a Delegacia de Polícia de União da Vitória, a Sanepar S.A., a Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e as prefeituras de Londrina, Cascavel e Toledo.

 

Recomendações

Diante das dezenas de achados, a comissão de auditoria recomendou à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e ao Instituto de Águas do Paraná a adoção de 29 providências. Entre elas, destacam-se a realização de um plano de ação emergencial para o atendimento das carências apontadas no relatório produzido; a realocação de servidores da autarquia para tornar efetiva a fiscalização das barragens; o aprimoramento da análise dos dados recebidos pelos entes fiscalizados, para que esta seja feita de forma proativa e não meramente cartorial; e o aperfeiçoamento do planejamento e execução das fiscalizações in loco realizadas nas barragens.

A equipe também pretende encaminhar cópias do relatório produzido ao Ministério Público Estadual (MP-PR), Ministério Público Federal (MPF), Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Alep) e Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR), para que as entidades tomem as medidas que entenderem cabíveis a respeito do assunto.

Além disso, também foi manifestada pelos servidores a intenção de realizar uma segunda fase da auditoria, voltada, desta vez, à análise da atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Minérios (ANM) na fiscalização das barragens de geração de energia e de rejeitos de minérios localizadas no Estado. Para isso, seria necessário um pedido do TCE-PR para que o Tribunal de Contas da União (TCU) delegue à corte estadual a competência para avaliar a atuação das referidas autarquias federais no Paraná.

 

Autor: Diretoria de Comunicação Social Fonte: TCE/PR