Conselheiro Fabio Camargo atendeu convite do Poder Legislativo para relatar as medidas tomadas para restabelecer os sistemas do Tribunal de Contas após incidente causado por malware
Em sessão da Assembleia Legislativa, na tarde desta segunda-feira (25 de julho), o presidente, conselheiro Fabio Camargo, fez um balanço de sua gestão à frente do Tribunal de Contas do Estado do Paraná no biênio 2021-2022. Ele atendeu convite do Poder Legislativo para relatar as ações tomadas pelo TCE-PR para restabelecer seus sistemas o mais rapidamente possível após a detecção de atividades maliciosas na estrutura de informática da Casa, ocorridas em 13 de maio passado.
Nos 58 dias em que ficou impossibilitado de realizar plenamente de seus serviços devido a um "crime contra o Estado", conforme classificou o presidente, o TCE-PR não parou. Realizou 347 ações de fiscalização, englobando recursos de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, aplicados por 250 municípios paranaenses.
Nesse período, a Escola de Gestão Pública do Tribunal ofereceu 12 cursos, nas modalidades presencial e online, nos quais foram atendidas 1.850 pessoas. Outros 8 mil espectadores, de todo o Brasil, assistiram às lives transmitidas pelo canal da EGP no YouTube.
Acompanhado de diretores e coordenadores, o presidente agradeceu à pronta ação do corpo técnico do Tribunal que, com o apoio de diversas instituições públicas, possibilitou o enfrentamento do incidente de forma "serena e transparente". Desde o início, o ataque vem sendo investigado pelo Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos da Polícia Civil do Paraná.
Fabio Camargo destacou que o episódio que vitimou o TCE-PR, infelizmente, não é fato isolado e afeta tanto empresas quanto instituições públicas. Em 18 meses - entre novembro de 2020 e abril deste ano - apenas os TCs brasileiros foram alvo de 13 ataques cibernéticos por hackers, na média de um ataque a cada 41 dias.
Camargo destacou que, graças à atuação rápida e assertiva, todos os dados internos do Tribunal e dos jurisdicionados foram preservados - pela ferramenta de backup - e os serviços essenciais, como a emissão de certidões, foram mantidos. Os prazos processuais e as sessões foram prorrogados, sem prejuízo à administração pública paranaense. Até esta segunda-feira, 74 sistemas do TCE-PR já foram totalmente recuperados. Dos 250 servidores de dados, 200 foram restaurados, 30 foram recriados e 20 desativados.
Balanço
Na sessão, que teve transmissão ao vivo pela canal da Alep no YouTube, Camargo destacou também as principais iniciativas desenvolvidas pelo Tribunal desde fevereiro de 2021. Entre elas estão a utilização de imagens de satélite na fiscalização de obras públicas, em parceria com Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Pioneiro, esse convênio já foi replicado para outros tribunais de contas brasileiros.
O presidente também citou a parceria com a Secretaria de Estado da Educação, que oferecerá conteúdos pedagógicos relativos à cidadania e ao controle social da gestão pública, por meio de aulas online, a cerca de 1 milhão de alunos de escolas públicas do Paraná. Os materiais do programa Jovem no Controle serão repassados à SEED-PR pela EGP.
Em relação à administração interna, Camargo apresentou o novo formato de gestão da frota do Tribunal. Em vez de adquirir veículos e arcar com todos os custos de documentação e manutenção, atualmente a Casa mantém contratos de aluguel com empresas especializadas. Além de uma redução significativa de custos, a medida garante mais segurança a membros e servidores em viagens de representação institucional e de fiscalização.
Orientação
Uma iniciativa para a aproximação com os gestores e os cidadãos é o programa Tribunal Itinerante, que apresenta as atribuições e os serviços da Corte em visitas a cidades do interior do Estado. Nessas apresentações, já realizadas no Norte Pioneiro e no Litoral, um dos destaques é a atuante Ouvidoria, o principal canal de comunicação do Tribunal com o cidadão paranaense.
Camargo também destacou que o TCE-PR busca cada vez mais uma atuação preventiva e orientativa, investindo na capacitação de gestores e servidores por meio dos constantes cursos, presenciais e online, sobre os principais temas da administração pública, oferecidos pela EGP. "Nossa política não é a da criminalização. Todos têm direito à defesa, especialmente no período conturbado pela pandemia da Covid-19 que atravessamos nos últimos dois anos", enfatizou.
Ele informou que aproximadamente 90% dos problemas registrados nas prestações de contas ao TCE-PR são causados por desconhecimento ou má interpretação da lei. "Se existe o mau gestor, que é uma minoria, existe a grande maioria que é bem-intencionada e que tem a nossa Corte como parceira, sempre disposta a orientar sobre o caminho correto, com uma equipe técnica que é modelo para o país."