Opinião é do coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, Mauro Munhoz, e foi apresentada no 1º Congresso Pacto pelo Brasil, organizado em Curitiba pelo Observatório Social do Brasil
Levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná no início deste ano apontou que aproximadamente 80% dos 399 municípios paranaenses concluíram o exercício de 2016 - o último do mandato anterior - com dificuldades financeiras. Isso significa que os atuais prefeitos, que administrarão esses municípios até 2020, herdaram dívidas com fornecedores, repasses aos regimes próprios de previdência social (RPPS) e até atraso no salário dos servidores.
Nesse cenário de crise financeira, tornam-se ainda mais imprescindíveis o planejamento de longo prazo e as boas práticas de gestão. A opinião é do coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR, Mauro Munhoz, e foi apresentada nesta terça-feira (9 de maio), em debate no 1º Congresso Pacto pelo Brasil.
Organizado pelo Observatório Social do Brasil (OSB), o evento foi iniciado na segunda e se estende até quinta (11), no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em Curitiba. Em painéis temáticos, o congresso busca apontar os principais fatores que levam à corrupção e à má qualidade dos serviços públicos.
Na avaliação do coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR foi exatamente a falta de planejamento a principal responsável pela crise enfrentada no Paraná. "Essa situação não aconteceu do dia para a noite. Desde 2014 havia sinais de que enfrentaríamos tempos difíceis na economia, que afetariam o poder de compra do cidadão, provocando queda na arrecadação", afirmou Munhoz, ao integrar o painel Calamidade na Gestão das Prefeituras.
Sem margem para elevar impostos, dada a alta carga tributária - que representa 34% do Produto Interno Brasileiro (PIB) e absorve anualmente cinco meses do salário do trabalhador -, a solução está na implantação da cultura do planejamento de longo prazo e de boas práticas de gestão. "O bom planejamento contempla medidas preventivas e corretivas para situações de crise", afirmou Munhoz. "A eficiência do gasto público exige priorização das ações, racionalização de tempo, de recursos humanos e financeiros."
Controle social
Além do planejamento e da gestão por resultados, o coordenador-geral de Fiscalização do TCE-PR defendeu a atuação do controle social do gasto público como fundamental para a eficiência da administração pública. "O engajamento da sociedade organizada na fiscalização pode mudar a atitude do gestor, fazendo com que ele aja para assegurar a correta aplicação do dinheiro público", disse Munhoz.
Segundo ele, a atuação dos órgãos oficiais de controle - Tribunais de Contas, Ministério Público, Poder Legislativo - por melhor que seja, é limitada. "O controle externo abrange uma pequena parte desse gigante chamado administração pública. Ele é limitado e não pode estar o tempo todo em todo lugar."
A união entre sociedade e órgãos oficiais de controle, formando uma rede, contribui para a gestão pública eficiente. Por isso, Munhoz parabenizou o Observatório Social do Brasil pela realização de eventos como o desta semana. "Somos gratos por vocês estarem promovendo esse ato cívico, para o bem de todos."