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Inspirado no TCE-PR, TCE-RS fiscaliza transparência da vacinação dos gaúchos

Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul utilizou metodologia desenvolvida pela Corte paranaense, compartilhada por meio da realização de reuniões virtuais entre servidores dos dois órgãos

Sede do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre.
Crédito: Divulgação/TCE-RS

A fiscalização que o Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) está realizando desde o início do ano a respeito da transparência do processo de vacinação contra a Covid-19 está sendo tomada como modelo no resto do país. Inspirado pela metodologia utilizada pelo órgão de controle na pesquisa ITP - Vacinação, o TCE do Rio Grande do Sul divulgou recentemente os números de levantamento semelhante efetuado naquele Estado.

A pesquisa foi realizada com base nos mesmos 11 critérios utilizados pelo estudo paranaense, o qual foi feito por meio da aplicação de uma nova versão do Índice de Transparência da Administração Pública (ITP), indicador desenvolvido pelo corpo funcional do Tribunal e utilizado pela Casa desde 2019 para avaliar os portais da transparência de seus entes jurisdicionados.

Ela também envolveu o envio prévio de um manual orientativo aos gestores, para que estes tivessem a oportunidade de efetivar os ajustes necessários antes da verificação dos sites, assim como ocorreu no Paraná. A metodologia utilizada pelo TCE-PR foi compartilhada com os servidores do TCE-RS por meio da promoção de reuniões virtuais entre as equipes técnicas de ambas as cortes.

Como resultado, o TCE-RS concluiu que a média de atendimento, por parte dos municípios gaúchos, às 11 questões que nortearam a fiscalização foi de apenas 34%. Já no Paraná, após reanálise dos dados do levantamento por parte dos analistas do TCE-PR, este índice subiu de 54,2% para 55,6%.

As 11 questões elaboradas pelo TCE-PR e replicadas pelo Tribunal gaúcho dizem respeito à divulgação, no portal da transparência ou site oficial do ente, do plano de ação municipal para efetivar a vacinação da população local; de informações sobre a segurança, eficácia e potenciais riscos e benefícios das vacinas utilizadas; da ordem dos grupos prioritários para serem imunizados, com destaque para a fase vigente no momento; de "vacinômetro"; do quantitativo de insumos e doses de vacinas recebidas ou adquiridas; de canais para denúncia de "fura-filas" e outras irregularidades; de telefones e horários de funcionamento dos pontos de imunização; dos processos de aquisição de insumos e vacinas; e do registro de possível sobra de doses de imunizantes.

 

ITP

O indicador, em sua versão original, teve sua primeira aferição feita pelo Tribunal em 2019, a qual resultou na publicação de um ranking dos portais da transparência das 399 prefeituras paranaenses. O objetivo, naquela ocasião, foi avaliar a qualidade e a conformidade legal dos sites, com base em cinco dimensões: transparência administrativa, transparência financeira, transparência passiva, boas práticas e usabilidade. A experiência foi repetida no ano seguinte, com a apresentação de novos resultados, porém com o uso da mesma metodologia.

Para realizar o trabalho em 2019 e 2020, foi firmado um termo de cooperação técnico-científica - sem qualquer transferência de recursos - entre o TCE-PR e a Universidade Positivo. Por meio da parceria, alunos do curso de Direito da instituição, devidamente orientados por servidores da Corte, aplicaram os critérios o ITP para analisar os portais.

Os quesitos adotados atenderam ao disposto na Resolução nº 9/2018 da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), indo além desta norma, com alguns itens conferidos exclusivamente pelo TCE-PR. O ITP é utilizado para alimentar o ranking nacional da entidade e, futuramente, servirá ainda como um dos critérios de apreciação das contas anuais dos gestores públicos paranaenses, além de ser usado como fator de risco para o planejamento das atividades de fiscalização do órgão de controle.

Entre agosto e setembro de 2020, o Tribunal também avaliou, por meio do uso de uma versão especial do ITP, o desempenho das prefeituras e do governo estadual no que diz respeito à publicidade das medidas relacionadas ao combate à pandemia da Covid-19. Os dados completos da pesquisa - com ranking, relatório final e análise integral - podem ser conferidos neste link.

 

Referência nacional

Desde que o TCE-PR passou a acompanhar o processo de vacinação, em 25 de janeiro deste ano - simultaneamente ao início da imunização contra o coronavírus no Estado -, a metodologia criada pela Casa em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU) vem servindo de referência aos demais órgãos de controle externo brasileiros.

O questionário enviado às 399 prefeituras paranaenses, ainda naquele mês, para verificar a gestão municipal preparatória para a execução da campanha de imunização, foi reproduzido por outros TCs, como os de Mato Grosso do Sul, Paraíba, Sergipe e Rondônia. Aquele formulário contemplava aspectos relacionados à formalização dos planos de ação locais, divulgação e transparência do processo de vacinação, bem como os insumos empregados e o registro dos dados.

Esse mesmo questionário serviu de base para um levantamento coordenado pelo Conselho Nacional de Presidentes dos Tribunais de Contas (CNPTC). O conteúdo do levantamento e outras informações relativas ao processo de vacinação estão reunidos em um hotsite, lançado ainda em abril.

 

Autor: Diretoria de Comunicação Social Fonte: TCE/PR