Trabalho de auditorias do TCE-PR, realizado com apoio técnico de laboratório contratado, foi apresentado no evento pela engenheira Maria José Carvalho, da Coordenadoria de Obras Públicas
Os resultados das auditorias em obras de pavimentação de municípios paranaenses, realizadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) com apoio técnico de laboratório contratado, foram apresentados durante o 18º Simpósio Nacional de Auditoria de Obras Públicas (Sinaop), realizado em João Pessoa entre os dias 5 e 9 de novembro. O evento foi organizado pelo Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas (Ibraop) e pelo Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, com apoio do Instituto Rui Barbosa (IRB) e da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon).
A apresentação foi feita pela engenheira civil Maria José Herkenhoff Carvalho, gerente de Execução da Coordenadoria de Obras Públicas (COP) do TCE-PR. "Entre os pontos fortes deste trabalho estão o efeito pedagógico da fiscalização e a atuação concomitante do Tribunal em obras que estão sendo executadas, o que permite intervenções a tempo de evitar práticas ilegais e até mesmo o desvio de recursos públicos", destacou Maria José durante a apresentação.
No biênio 2017-2018, o Tribunal já realizou 21 auditorias para verificar a qualidade de obras de pavimentação asfáltica em municípios paranaenses, com apoio de análise de materiais em laboratório. Até o final deste ano, estão programadas mais duas fiscalizações, totalizando 23 auditorias, cujo valor global contratado soma R$ 122,3 milhões. Essas auditorias integram o Plano Anual de Fiscalização (PAF) do Tribunal.
Além de apurar a legalidade e a regularidade dos documentos e das obras, os servidores da COP avaliam os laudos técnicos realizados em amostras do pavimento. A coleta dessas amostras e os ensaios de laboratório são realizados pela empresa Dalcon Engenharia Ltda., vencedora de pregão eletrônico realizado pelo Tribunal.
Na fiscalização, são retiradas amostras cilíndricas do pavimento (concreto betuminoso usinado a quente - CBUQ). Nas análises laboratoriais, são avaliados, seguindo as normas técnicas vigentes no país, espessura da camada asfáltica, densidade, granulometria do material empregado (dimensão e proporção das britas, pedriscos e demais agregados), quantidade de betume e outros aspectos qualitativos.
Os técnicos do TCE-PR também comparam dados medidos na via com o projeto, para verificar se o que foi previsto em contrato está sendo, efetivamente, executado. Outros itens analisados são a largura da via, o comprimento, a geometria, o meio-fio, as galerias de águas pluviais e a acessibilidade.
Irregularidades
Todas as 13 auditorias realizadas em 2017 resultaram em Comunicações de Irregularidade, transformadas em Tomadas de Contas Extraordinárias atualmente em trâmite no Tribunal. O dano total apurado nessas 13 auditorias correspondeu a R$ 11,8 milhões - aproximadamente 15% do valor total dos contratos, que somam R$ 83,2 milhões. As auditorias de 2018 estão na fase de análise de laudos técnicos e elaboração de relatórios.
Entre as principais irregularidades verificadas na fiscalização estão utilização de materiais em quantidades inferiores às previstas em contrato; realização de serviços que não atendem às especificações técnicas e pagamentos por quantidades de materiais e serviços acima das efetivamente executadas. Também foram verificadas falhas das prefeituras na fiscalização dos contratos, utilização de justificativas infundadas para fundamentar aditivos contratuais e concessão de reajustes em prazo inferior a um ano, em afronta ao artigo 2º da Lei 10.192/2001.