Gabriela Lotta, que já foi considerada uma das 100 acadêmicas mais influentes do mundo na área de governo, ministrou palestra na abertura da 1ª Semana de Integração da Fiscalização do TCE-PR
O cidadão é o centro do trabalho do serviço público. "O Estado tem que ser um indutor de qualidade de vida, de redução de desigualdades e de acesso ao direito. Eu aposto em pessoas, nos servidores públicos, para fazer isso." A opinião é da professora e pesquisadora de Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Gabriela Spanghero Lotta.
Na tarde desta segunda-feira (6 de março), ela proferiu palestra no auditório do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, em Curitiba. O evento marcou a abertura da 1ª Semana de Integração da Fiscalização do TCE-PR, que será realizada até sexta-feira (10 de março). O evento busca o alinhamento de todo o trabalho do órgão neste ano às metas do Plano Estratégico Institucional 2022-2027 e às diretrizes do Plano Anual de Fiscalização (PAF) de 2023, seguindo o recém-lançado Manual de Padrões de Fiscalização do TCE-PR.
"É importante um técnico qualificado, capacitado para realizar auditorias para diminuir esse abismo social que enfrentamos. Cada um que está aqui tem muito a contribuir com suas experiências. Os servidores da Casa me enchem de orgulho", afirmou o presidente do Tribunal, conselheiro Fernando Guimarães, ao iniciar o evento.
"Apagão das canetas"
Gabriela Lotta, que em 2021 foi considerada uma das 100 acadêmicas mais influentes do mundo na área de governo, apontou seis pontos que o controle externo deverá levar em conta para ajudar o Poder Executivo a melhorar seus serviços. A atuação tem que ser pedagógica e preventiva e não puramente punitiva e reativa; voltada a dar suporte a processos decisórios; voltada a avançar nos desafios do Estado brasileiro; contextualizada para compreender as especificidades locais; focada no cidadão, na efetividade do serviço e no valor social; construída e operada de maneira dialogada com quem opera os serviços.
A palestrante apontou o risco do "apagão das canetas", situação causada por gestores amedrontados de tomar decisões por medo de criminalização judicial. "Isso evita a inovação para reconstruir o Estado. A função do controle externo é ajudar quem toma decisões a tomar boas decisões", enfatizou.
Gabriela indicou cinco agendas para o futuro: integrar políticas públicas, levando à intersetorialidade; melhorar o desenho federativo; aprimorar a relação com atores não estatais; territorializar políticas públicas; e melhorar a relação entre os poderes, especialmente entre o Executivo e os atores do controle externo.