Acessibilidade
Voltar

Curitiba: após auditoria, TCE-PR indica 3 ações para projeto de mobilidade

Programa de Mobilidade Sustentável, voltado ao aumento da capacidade e velocidade da linha direta Inter 2, conta com financiamento do BID. Corte aprovou execução do projeto em 2021

Estação da Linha Direta Inter 2, implantada pela Prefeitura de Curitiba por meio do Programa de Mobilidade Sustentável, que recebe financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Foto: Prefeitura de Curitiba/Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná, por meio de sua Coordenadoria de Auditorias (CAUD), promoveu, a pedido do Município de Curitiba, auditoria independente a respeito da execução do Programa de Mobilidade Sustentável da capital paranaense. A atividade integra o Plano Anual de Fiscalização (PAF) de 2022 do TCE-PR.

O projeto, realizado pela prefeitura e cofinanciado com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) por meio de contrato firmado em 2020, tem como principal objetivo o aumento da capacidade e da velocidade da linha direta de transporte coletivo Inter 2. Para que isso seja alcançado, a iniciativa envolve a melhoria da integração do sistema de ônibus com modais de transporte complementares; o aumento da eficiência de operação da referida linha; e a qualificação da acessibilidade de pessoas com mobilidade reduzida a estações e terminais atendidas pela Inter 2.

O valor total a ser investido na iniciativa é de US$ 133,4 milhões - o que corresponde a aproximadamente R$ 689,7 milhões -, sendo que 20% dessa quantia é de responsabilidade da prefeitura e o restante da instituição financeira. A aplicação dos recursos é voltada majoritariamente a obras de infraestrutura viária; trabalhos de melhoramento de estações de ônibus; e serviços de gestão ambiental e social, incluindo a compensação e aquisição de propriedades imobiliárias.

 

Metodologia

A auditoria anual realizada pelo TCE-PR (Processo nº 57521/22) abrangeu o exercício financeiro de 2021, período no qual foram investidos US$ 248.648,54 pelo BID no programa da Prefeitura de Curitiba. A quantia corresponde a cerca de R$ 1,3 milhão.

Por meio do trabalho, a equipe de fiscalização do Tribunal buscou, fundamentalmente, avaliar se os recursos externos e de contrapartida local foram usados em conformidade com as condições estabelecidas no contrato de empréstimo; se os bens, obras e serviços foram adquiridos em conformidade com o mesmo documento e com a legislação nacional; se os documentos de apoio necessários, registros e contas foram mantidos relativamente a todas as atividades do programa; se os bens, serviços e demais aquisições no âmbito do projeto contribuem para o alcance do objetivo estabelecido; e se as orientações contidas nos relatórios de auditorias de anos anteriores tiveram encaminhamento adequado.

O método empregado pelos auditores para realizar tal averiguação foi a análise, por amostragem, da documentação relativa a obras, licitações e contratos realizados no âmbito do programa. Dessa forma, foi testada a aderência entre os documentos e os resultados alçados pela alocação de recursos, por meio da validação da compatibilidade entre as informações apresentadas nos demonstrativos financeiros e os respectivos valores contidos na base de pagamentos.

 

Conclusões

Como resultado, a equipe da CAUD concluiu que "as demonstrações financeiras do programa apresentaram razoavelmente, em todos os aspectos relevantes, os recebimentos e os pagamentos do programa em 31 de dezembro de 2021".

No entanto, os auditores da unidade técnica do TCE-PR apontaram a existência de três oportunidades de melhoria no controle interno relativo ao programa, em relação às quais emitiram igual número de recomendações.

Em primeiro lugar, a Prefeitura de Curitiba precisar reestruturar sua organização administrativa, de modo que o responsável pelo controle interno esteja subordinado somente ao chefe do Poder Executivo. Além disso, o município deve passar a identificar e documentar os principais riscos relacionados aos objetivos relevantes do projeto, de modo que sejam avaliados impactos, probabilidades, tratamento preventivo e eventuais medidas corretivas.

Finalmente, foi sugerido que a Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento estabeleça rotina de controle e monitoramento desse e de outros projetos cofinanciados, indo além da simples implementação de medidas de controle interno determinadas ou recomendadas pelo TCE-PR.

 

Resultado

O relatório da auditoria foi encaminhado à Prefeitura de Curitiba, à Secretaria de Assuntos Internacionais (Sain) do Ministério da Economia e ao BID, conforme determinado pelo presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Fabio Camargo.

Em resposta, a Prefeitura de Curitiba informou que criou, por meio da Lei nº 15.952/2022, a Controladoria-Geral do Município, feito que atende às recomendações da auditoria e é um grande avanço para o controle dos atos administrativos do município.

 

Autor: Diretoria de Comunicação Social Fonte: TCE/PR