Voltar

Cidades recebem orientações para melhorar suas condições de mobilidade urbana

Após auditorias realizadas em 2025, Pleno do Tribunal de Contas do Paraná emite um total de 21 recomendações às prefeituras de Apucarana, Araucária, Guarapuava e Maringá

Ciclovia em avenida central de Maringá

O Tribunal de Contas emitiu 21 recomendações a quatro municípios paranaenses para orientá-los a aprimorar o planejamento e a gestão da política de mobilidade urbana. As medidas foram sugeridas pela Coordenadoria de Auditorias (CAUD) do TCE-PR, que detectou oportunidades de melhoria em Apucarana, Araucária, Guarapuava e Maringá.

Nessas quatro cidades, a CAUD fiscalizou o planejamento e a gestão municipal da política de mobilidade urbana, com foco nos modos ativos ou não motorizados de transporte. O objetivo geral das auditorias foi avaliar a política de mobilidade urbana para melhoria das condições de acessibilidade, segurança e mobilidade por modos ativos, em termos de eficácia na realização de medidas propostas nos planejamentos municipais e de efetividade no alcance dos objetivos da Política Nacional de Mobilidade Urbana (Lei Federal nº 12.587/12), identificando os principais fatores que geram os problemas encontrados e propondo oportunidades de melhoria.

Realizadas em 2025, as auditorias integraram o Plano de Fiscalização (PAF) do TCE-PR. Nelas, foram detectados nove achados de auditoria – designação técnica para oportunidades de melhoria verificadas pelos auditores na execução de um trabalho de fiscalização.


Oportunidades de melhoria

Como resultado dos trabalhos, foram identificadas oportunidades de melhoria em relação à infraestrutura viária apresentar deficiências em termos de acessibilidade e não oferecer condições adequadas para deslocamentos a pé e por bicicleta; às inadequações na legislação urbanística municipal quanto à priorização da mobilidade ativa; ao Plano de Mobilidade Municipal (PlanMob) não contemplar metas, indicadores e aprofundamento de medidas para promoção dos modais prioritários; e ao Plano Plurianual (PPA) apresentar fragilidades na compatibilização dos programas e ações voltados à mobilidade urbana com as propostas do PlanMob.

A equipe de auditoria também verificou que projetos viários indicam desalinhamentos com as diretrizes e objetivos estabelecidos no PlanMob; municípios não instituíram processos de monitoramento do PlanMob e de avaliação da política de mobilidade baseados em dados; e políticas municipais de segurança viária são limitadas pela falta de acesso a dados sobre acidentes de trânsito e ausência de planejamento estruturado.

Outras oportunidades de melhoria identificadas referem-se à política de estacionamento rotativo não promover a gestão da demanda do modo individual motorizado e o subsídio aos modais prioritários; e a municípios não possuírem uma política de verificação da adequada manutenção e conservação das calçadas de acordo com as normas de acessibilidade e padrões municipais.


Benefícios potenciais

Os principais benefícios potenciais das fiscalizações realizadas, a partir das recomendações expedidas, são a expansão e qualificação da rede cicloviária, melhorando sua conectividade e a atratividade do modal cicloviário; a qualificação da infraestrutura para pedestres, melhorando a atratividade do modal a pé e o acesso à cidade, especialmente por pessoas com condições de mobilidade reduzida; as melhorias nos processos de planejamento, monitoramento e avaliação da política de mobilidade urbana; o aprimoramento da legislação urbanística municipal; e a maior eficácia e efetividade na implementação do Plano de Mobilidade Urbana.

Outros benefícios esperados são a compatibilização do planejamento da mobilidade urbana com os instrumentos orçamentários; a instituição do monitoramento do PlanMob; o aprimoramento da qualidade dos projetos viários em termos de inclusão de medidas de priorização de pedestres; a maior transparência e eficiência dos investimentos em recapeamentos em relação às reais necessidades do município; e a oferta de equipamentos de apoio ao ciclista em edifícios públicos e privados, favorecendo a ciclomobilidade.

Também são esperados benefícios relativos  à execução de calçadas de acordo com normas técnicas de acessibilidade; à diminuição dos incentivos ao uso do automóvel individual; à expansão das áreas de operação de estacionamento rotativo; à adequação do diagnóstico das condições da segurança viária; à maior efetividade das intervenções para melhoria da segurança no trânsito; à maior eficiência, eficácia e abrangência em ações de vistoria das calçadas em relação às adequadas condições de acessibilidade; e ao conhecimento da população a respeito dos padrões das calçadas e da necessidade de adequada conservação.


Decisão

Em seus votos, o relator dos processos, conselheiro Ivens Linhares, presidente do TCE-PR, destacou a relevância das evidências obtidas e das análises realizadas pela CAUD, que apresentou sugestões de providências para contribuir para o aperfeiçoamento das gestões municipais.

Linhares afirmou que, com base nos dados constantes dos autos, as medidas propostas são oportunas para promover, nos municípios fiscalizados, melhorias para o aprimoramento das gestões de mobilidade urbana. Assim, ele considerou necessária a homologação das recomendações da CAUD pelo Tribunal Pleno do TCE-PR.

Nas sessões de Plenário Virtual nº 19/25, nº 23/25 e nº 3/26 do Plenário Virtual do Tribunal Pleno do TCE-PR, concluídas, respectivamente, em 9 de outubro e 11 de dezembro de 2025 e 12 de março de 2026, os demais membros do órgão colegiado acompanharam os votos do relator por unanimidade. Os acórdãos nº 2827/25, nº 3421/25, nº 3422/25 e nº 520/26, todos do Tribunal Pleno, foram disponibilizados no Diário Eletrônico do TCE-PR (DETC).


Homologação de Recomendações

A partir da vigência da Resolução nº 73/2019 do TCE-PR, todos os procedimentos resultantes de trabalhos fiscalizatórios realizados pelo Tribunal têm como ponto de partida a elaboração, pela unidade técnica responsável, de um Relatório de Fiscalização. Caso este apresente apenas sugestões de medidas para sanar impropriedades encontradas na gestão da entidade pública em questão, é instaurado processo de Homologação de Recomendações.

A medida tem como objetivo dar maior rapidez à implementação dessas iniciativas, indicadas apenas nos casos em que não são encontradas irregularidades de maior gravidade, que demandem a emissão de determinações ou a aplicação de sanções – situações ainda contempladas pelos processos de Representação e Tomada de Contas Extraordinária.


Serviço

Processos nº: 587117/25, 732400/25, 732435/25 e 25739/26
Acórdãos nº: 2827/25 - Tribunal Pleno, 3421/25 - Tribunal Pleno, 3422/25 - Tribunal Pleno e 520/26 - Tribunal Pleno
Assunto: Homologação de Recomendações
Entidades: Municípios de Araucária, Maringá, Apucarana e Guarapuava
Relator: Conselheiro Ivens Zschoerper Linhares


 

Autor: Diretoria de Comunicação Social Fonte: TCE/PR