A avaliação da Estratégia Saúde da Família no Paraná, realizada pelo TCPR em 2009, foi orientada no sentido de diagnosticar se as ações da Estratégia Saúde da Família romperam com o modelo tradicional de atendimento básico à saúde, possibilitando a aproximação dos profissionais de saúde com a comunidade e a melhoria da saúde da população. Foram avaliados aspectos relativos à gestão da Estratégia pela Secretaria de Estado de Saúde do Paraná e pelos municípios executores, assim como aspectos relativos à implantação, condições de trabalho e atuação das Equipes.
O universo da pesquisa abrangeu 69% dos 399 municípios do Estado. Na execução do trabalho, optou-se por uma abordagem metodológica mista, que incluiu técnicas de pesquisa amostral probabilística por conglomerado – entrevistas e visitas de estudo em 49 municípios (sendo 02 não participantes da Estratégia Saúde da Família), pesquisa amostral não-probabilística por conveniência – survey em meio eletrônico, pesquisa documental e análise de dados secundários. Ao todo, foram aplicados presencialmente 352 questionários aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e 578 questionários aos beneficiários do Programa (na Unidade de Saúde e nas residências), além de 24 usuários do sistema público de saúde em município não participante da Estratégia Saúde da Família. A pesquisa eletrônica, por sua vez, contou com a participação de 975 membros de Equipes de Saúde da Família, 438 membros de Equipes de Saúde Bucal, 10 Gestores Estaduais, 108 Secretários Municipais de Saúde que possuem a Estratégia implantada em seus municípios, 6 Secretários de Saúde de municípios não participantes da Estratégia.
As principais conclusões do Relatório revelam que aspectos do atendimento ampliado, da resolutividade e da criação de vínculos entre as Equipes de Saúde da Família e os beneficiários oferecem oportunidades de melhoria. Resumidamente, foram observados: deficiência no acompanhamento, monitoramento e avaliação da Estratégia pelas esferas estadual e municipal, insuficiência de repasses financeiros, baixa atuação intersetorial, inconsistência dos Planos Municipais de Saúde, baixa atuação dos Conselhos Municipais de Saúde, dificuldades de contratação de médicos para atuar na Estratégia, dificuldade de cumprimento de carga horária integral, alta rotatividade dos profissionais, persistência de contratação de pessoal via Terceiro Setor, entre outros aspectos gerenciais. Além disso, ficou demonstrado que condições inadequadas de trabalho agem sobre a execução da Estratégia, entre as quais destacam-se: dificuldades de operacionalização do atendimento ampliado pelas Equipes de Saúde da Família; dificuldades de adaptação das Equipes de Saúde Bucal ao modelo preconizado e dificuldades suplementares para as Equipes que atuam em áreas rurais. As constatações da auditoria abordam ainda temas como a oferta de capacitação às Equipes e a falta de medicamentos utilizados nas áreas estratégicas definidas pela Atenção Básica. Restaram demonstradas a necessidade da fixação de políticas de recursos humanos e investimentos, não apenas vinculadas a fomentar recursos, mas com o objetivo de criar mecanismos de fixação dos profissionais, assim como estratégias para propiciar o atendimento ampliado de qualidade, condições adequadas de trabalho às Equipes e maior divulgação da Estratégia Saúde da Família à população, visando fortalecer a consolidação conceitual do modelo.